A ARTE DE AGRADECER E A ARTE DE ELOGIAR SÃO AS DUAS LEIS DAS RELAÇÕES SAUDÁVEIS MAIS ACESSÍVEIS A CADA SER HUMANO.

Se alguém me perguntasse qual das funções da inteligência que acho fundamental para ensinar à uma criança, diria que é a mais simples e fundamental: aprender a agradecer.

A arte de agradecer previne psicopatias, realça a sensibilidade, estimula a arte de se colocar no lugar dos outros, alicerça a generosidade e fundamenta o altruísmo.

Quem não aprende a agradecer dificilmente aprenderá essas outras funções complexas. Temos em média 3 trilhões de células em nosso corpo. Cada célula funciona como uma usina de energia interdependente. Só em nosso cérebro existem de 86 bilhões a 100 bilhões de neurônios para comandar funções nobres do corpo e para dar sustentabilidade à capacidade de pensar, conscientizar-se, sentir, interpretar, desejar, sonhar. Mas quem agradece ao seu corpo? Quem exalta o funcionamento das células? Quem agradece ao ar que respira, ao coração que pulsa, ao fígado que desintoxica, aos rins que filtram? Cerca de 1 milhão de pessoas suicidam-se por ano em todo o planeta. É um número altíssimo, fora outros tantos milhões que tentam o suicídio e, felizmente, não conseguem. Ninguém que pensa em suicídio quer exterminar a vida, mas sua dor, seja qual for.

E a dor emocional poderia ser diminuída e até esvaziada se aprendêssemos a nos deslumbrar com a existência. Todos nós precisamos reclamar menos e agradecer mais.

Nós lutamos pela vida, não fomos atores coadjuvantes dos nossos pais. Não foram eles que nos escolheram. Somos responsáveis diretos pela nossa vitória. Mas quem exalta a vida como um fenômeno de altíssima complexidade? Quem agradece a seu patrimônio genético? Quem se sente um personagem épico na dantesca disputa pelo direito à vida em uma sociedade que valoriza excessivamente a cultura das celebridades?

Sonho que não apenas adultos, mas homens e mulheres, jovens, incluindo adolescentes, possam ler estes capítulos e se sentir um pouco menos seres humanos épicos, com uma incrível garra para escrever uma belíssima história.

Ficamos fascinados com a internet, a TV em três dimensões, os celulares ultra inteligentes, mas não ficamos fascinados com a vida que pulsa em nós.  Somos injustos.

Não são poucas as vezes que vivemos superficialmente, reclamando das dificuldades, nos diminuindo diante das perdas ou, em alguns casos, invejando o sucesso dos outros. Outra vez estamos sendo injustos com nosso passado. Mulheres inteligentes devem saber que quem homenageia a vida vive melhor, ama mais, relaxa-se com profundidade e se protege de maneira sólida. E de sobra cobra muito menos de si e dos outros.

AUGUSTO CURY

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