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Pelo segundo ano consecutivo, houve mais pessoas a entrar do que a sair de Portugal. Ainda que a população continue a diminuir e o envelhecimento a acentuar-se, o saldo migratório positivo ajudou a atenuar o decréscimo populacional. Número médio de filhos por mulher ainda é insuficiente para renovar gerações, mas é o mais alto dos últimos 15 anos.

Em 2018, o número de imigrantes em Portugal voltou a ser superior ao de emigrantes. Isso significa que, pelo segundo ano consecutivo, houve mais pessoas a entrar do que a sair do país. E foi esse saldo migratório positivo que ajudou a desacelerar a perda de população no ano passado, mostram as Estimativas de População Residente divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta sexta-feira.

“A desaceleração do decréscimo populacional em 2018 resultou da melhoria do saldo migratório (de 4886 pessoas em 2017 para 11570 pessoas em 2018), já que o saldo natural negativo se agravou (de -23432 em 2017 para -25980 em 2018)”, conclui o INE. Estima-se agora que residam em Portugal 10,28 milhões de pessoas, menos 14 mil do que em 2017, o que representa uma queda de 0,14%. No ano anterior, os dados tinham apontado para uma perda de 18 mil pessoas.

É no aumento da imigração que reside a grande novidade dos dados divulgados pelo INE. Em 2018, entraram em Portugal 43.170 imigrantes permanentes, mais 18% do que no ano anterior. É o valor mais alto pelo menos desde 2008.

A emigração também desceu, mas com menos intensidade: saíram do país 31.600 pessoas, menos 153 do que em 2017. E é um número já abaixo dos cerca de 54 mil que, segundo o INE, deixaram Portugal em 2013.

Quando comparada com 2017, a população com menos de 15 anos diminuiu (corresponde agora a 13,7% do total) e a população com mais de 65 anos aumentou (corresponde a 21,8%). “O envelhecimento demográfico em Portugal continua a acentuar-se”, sublinha o INE.

Ainda assim, o número de nascimentos aumentou 1%, com mais 866 bebés a nascer em 2018. O facto de o número de óbitos ter aumentado faz com que o saldo natural volte a ser negativo.

É de sublinhar como positivo o aumento do número médio de filhos por mulher. O chamado índice sintético de fecundidade é agora de 1,41 – o valor mais alto dos últimos 13 anos. Bateu no seu ponto mais baixo em 2013, no pico da crise, quando desceu para 1,21 filhos por mulher. Apesar do aumento ligeiro, continua a estar abaixo do nível necessário para a renovação das gerações (ou seja, 2,1).

O INE lembra que, para o futuro, se estimam as mesmas tendências de redução da população e de envelhecimento demográfico. “Portugal poderá perder população até 2080, passando dos atuais 10,3 milhões para 7,9 milhões de residentes, ficando abaixo dos 10 milhões em 2033. A população jovem poderá ficar abaixo do limiar de 1,4 milhões já em 2019 e do limiar de 1 milhão em 2074. O número de idosos passará de 2,2 milhões em 2018 para 2,8 milhões em 2080.”

 

Fonte: https://expresso.pt/

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